domingo, 31 de outubro de 2010

PSB - NOVA FORÇA NACIONAL. E NO MARANHÃO?

Com Felipe Klamt

O Partido Socialista Brasileiro venceu em seis estados, estabelecendo a nível nacional uma injeção de força para os socialistas. Forçando a nova governante nacional manter uma agenda com os integrantes do PSB.

Os socialistas venceram em Pernambuco, Piauí, Ceará, Amapá, Espírito Santo e na Paraíba. Nos estados de Pernambuco, Ceará e no Espírito Santo a vitória no primeiro turno era dada como certa.

O segundo turno reservou vitórias históricas como de Camilo Capiberibe que detonou o grupo político do oligarca Sarney e do presidente Lula no Amapá, do Ricardo Coutinho que demoliu o coronel José Maranhão na Paraíba e o companheiro Wilson Martins que venceu com a máquina estadual e federal no Piauí.

Agora se faz necessário que os dirigentes da executiva nacional fortaleçam o partido no Maranhão, impedindo a tomada da legenda pela governadora Roseana Sarney.

Afinal, quem está negociando o partido?

Vai saber.

Com imagem da logo do PSB

LIBERDADE, LIBERDADE - O AMAPÁ LIVRE DE SARNEY

Com Felipe Klamt

O Amapá já conseguiu se libertar do Sarney com Camilo Capiberibe (PSB) eleito governador.

Falta o Maranhão. Falta pouco.

Com imagem site Unifap

VINTE E NOVE DIAS, CONTINUA A CONTAGEM DO NADA

Com Felipe Klamt

A contagem do nada continua, parece que o atual governo de ocupação está aguardando a Dilma ganhar a eleição para começar a pensar se tem alguma “coisa” para ser feita no Maranhão.

Passaram 29 dias após a eleição e nada.

Quando vai acontecer?

Vai saber.

Com imagem site Art Daily

sábado, 30 de outubro de 2010

COM BOMBA - ELEIÇÃO DO AMAPÁ COM OS OLHOS DA POLÍCIA FEDERAL

Com Felipe Klamt

Parece que o dinheiro no valor de mais de R$ 5 milhões apreendido em um avião pela Policia Federal era do Banco do Brasil.

Muito estranho o Banco do Brasil fazer transporte de valores em um sábado.

Fica faltando apurar a origem e o destino do dinheiro apreendido perto do Carinhoso Bar.

O mais importante é que a Policia Federal está no Amapá botando para ferver no grupo dominante.

Com informações no Blog da Lucia Capiberibe e no Blog da Alcinéa Cavalcante

COM BOMBA - POLÍCIA FEDERAL PRENDE DINHEIRO NO AMAPÁ

Com Felipe Klamt

A Polícia Federal está prendendo um monte de gente e dinheiro em Macapá no Amapá.

A primeira apreensão foi de um avião cheio de dinheiro, parece que vinha milhares de notas de 10 reais. Algo em torno de R$ 2 a 6 milhões.

A segunda batida da polícia foi a pouco instantes perto do Carinhoso Bar. Ainda não temos detalhes.

Parece que o Lula deixou a Federal acabar com o esquema de uma família dominante. Pena que o Maranhão ficou fora na compra descarada de mais de 20 mil votos ao preço de R$ 50 a 100 reais, que apareceram nas urnas após as 17h00 no dia da eleição.

Continuamos acompanhando.

VAMOS COM CUNHA SANTOS - QUEM AINDA OUSARÁ SER OPOSIÇÃO?

Com JM Cunha Santos

É preciso acordar. Não sobrou muito do que se poderia chamar de oposição nesse Estado. Lula e Dilma Rousssef conseguiram eleger Roseana Sarney, os dois senadores da República maranhenses e maiorias esmagadoras de deputados na Câmara Federal e na Assembléia Legislativa. Com ou sem fraude, às custas de abuso de poder político e econômico ou não, eles estão eleitos.

Eles têm também o apoio das multinacionais e dos projetos bilionários que se instalam no Maranhão. Detêm o monopólio dos meios de comunicação e conseguem, através de esmolas publicitárias e ameaças judiciais, calar grande parte da pouca imprensa que não está assalariada ao Sistema Mirante.

Eles eram donos do PMDB e do DEM e também de todos os pequenos partidos que aos trancos e barrancos se esforçam para ganhar sobrevida no Estado. Agora são donos também do Partido dos Trabalhadores, de Uniões de Moradores, de Clubes de Mães, de Associações de Jovens, de Movimentos Sociais e até de Sindicatos.

Com a eleição de Dilma Roussef, eles ganharão em definitivo o monopólio de todos os cargos federais, o que os credencia a estender seus domínios sobre muitas almas, sobre todas as almas. Terão o controle da Caixa Econômica Federal, do Banco do Brasil, da seção maranhense do BNDES, de todos os bancos públicos e alguns privados, afinal.

Reinarão ainda mais absolutos, como afinal já reinavam, sobre as estatais, universidades, escolas, hospitais, sobre a Assembléia Legislativa, cada uma das prefeituras, câmaras de vereadores, sobre o Tribunal de Contas do Estado e outros tribunais.

Provavelmente, “nunca antes na história” se viu tanto poder em mãos de um único grupo político. É mais que uma simples relação de propriedade. É uma relação de domínio exclusivo, totalitário, sufocante, sem o aparte das contestações. Donos do poder de polícia e de justiça, do poder social e econômico, quem ainda ousará lhes dizer não?

Esse artigo é apenas um choque de realidade, na ilusão de traduzir todo o mal que se abateu sobre esse Estado. Quem juntará os cacos da oposição? Quem ainda ousará fazer oposição concreta e direta ao governo do Estado? Quantos deputados ainda serão capazes de discursar e agir contra o poder arriscando suas carreiras políticas? Quantos jornalistas ainda serão capazes de escrever arriscando empregos, liberdade e o sustento de suas famílias?

O que é isso, como se chama, o que diabos foi que aconteceu aqui?

Pense em Nero, pense em Calígula, pense em Hitler e Mussolini e ainda achará que eles detiveram menos poder que os Sarney detêm no Maranhão depois do fiasco oposicionista nas eleições de 2010.

Nas sociedades capitalistas manda o dinheiro. E com o dinheiro de todos os bancos, todas as empresas nacionais e multinacionais, o dinheiro do Estado e dinheiro Federal à disposição para corromper todos os valores morais e instituições, como gostam, quem ousará, afinal, enfrentá-los? Quem juntará os cacos da oposição?

O que é isso, como se chama, o que diabos foi que aconteceu no aqui?

Como Mestre do Jornalismo Independente

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

DILMA OU SERRA, TANTO FAZ

Com Felipe Klamt

Nesta eleição tem de tudo, de todas as formas, de todas as vontades, com muitos pensamentos, entendendo que toda confusão está reduzida a dois candidatos. Tem que ser Serra ou Dilma, em branco ou abstenção nem pensar.

O Maranhão parece ser o diferencial no pleito nacional, primeiro os lulistas que querem Dilma não aceitam serem colocados juntos ao povo do Sarney, depois vem às desculpas para votarem em um dos dois candidatos. Cada uma mais hilária do que a outra, do tipo “voto em Serra para Roseana não ser absoluta”, “estou votando Dilma, não em Roseana”, “não estou votando em Dilma, estou vetando o Serra”, “voto no Zé para serrar o Sarney”, “sem Dilma a bolsa esvazia” e por ai vai.

Alguns estão sendo chamados de “provincianos” pela turma do Sarney, dizem que este pessoal é medíocre por não querer pensar no Brasil, ficam atarracados na briga política da terrinha. Até parece que o Maranhão está como modelo para encher os olhos do resto do país.

Nesta nação particular do Sarney, existe muito para ser exportado, como políticos corruptos, intermináveis analfabetos de todos os níveis, habitantes do barro e da palha, muita miséria espalhada em todas as partes, monte de gente para ser escravo nas fazendas e milhares de quilômetros com arame farpado cercando o latifúndio. Tudo produzido pela família com todo capricho.

A grande verdade balança entre a vitória da Dilma possibilitando a total dilapidação das reservas maranhenses pelo atual governo que será o próximo, basta continuar esquecendo da terrinha. A outra está na virada do Serra no dia da eleição, permitindo que os integrantes do PSDB, PPS e PDT tenham um pouquinho de espaço nos cargos federais.

Fica a dúvida se o Serra vai mesmo enfrentar o Sarney. Vai saber.

Com imagem blog do David Coimbra

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

VAMOS COM LEMOS - NORDESTE, MASSA DE MANOBRA?

Com José Lemos

Os Nordestinos Continuam Sendo Massa de Manobra dos Poderosos

Estamos diante de mais um processo eleitoral, onde deveria haver a oportunidade de serem debatidos os grandes problemas nacionais, mas não é o que se observa. Há uma deliberada intenção, principalmente dos atuais detentores do poder, para desviar o foco dos problemas e mira-lo em temas irrelevantes. Foi por isso que fizeram tudo para ganharem a eleição já no primeiro  turno. Ocasião oportuna tendo em vistas que a avalanche de candidatos, os debates engessados, e os institutos de “pesquisa” manipulando resultados, evitariam a exposição das evidentes deficiências da candidata sacada do bolso  pelo Presidente. Aquele mesmo que renunciou à função para ser uma mistura de cabo eleitoral e líder de torcida fanática disposta a tudo para atingir o seu objetivo. Fizeram de tudo para que os brasileiros dessem um  cheque em branco para ela apenas porque houvera sido ungida pelo Presidente, do alto da sua popularidade conquistada fortemente sobre um fortíssimo aparato de propaganda enganosa.

Para o sucesso da empreitada contava com a desinformação  que prevalece num Pais que é mantido com baixa escolaridade media e com alta taxa de analfabetismo, justamente para viabilizar o projeto urdido nos laboratórios mais sórdidos da arrogância e da prepotência.  Apresenta-se uma retórica supostamente progressista, tentando mostrar que o governo está voltado para as massas populares, mas oferece-se aos banqueiros oportunidades de negócio que os  fazem ter lucros como “nunca antes neste País”. Não é por acaso que são os grandes financiadores da campanha oficial.

O paradoxo é que o Nordeste é a região onde mais essa gente tem respaldo. Justamente a região mais carente e que durante os oito anos deste governo teve agravada as desigualdades em relação ao Brasil, e em relação às regiões mais desenvolvidas. Com efeito, segundo dados o IBGE, em 2000 o PIB do Nordeste participava com 13,09% do PIB nacional. Em 2002, a participação da região no bolo da riqueza nacional, ainda segundo o IBGE, havia ascendido para 13,52%. Ao final do Governo Lula a participação do PIB do Nordeste no Brasil havia regredido para 13,07%, bem menos do que acontecia antes do inicio do atual governo, e conseguiu ser pior do que acontecia na virada do milênio.

A população que sobrevivia em domicílios cuja renda varia de zero a no máximo dois salários mínimos no Nordeste, no  ano 2000, era de 54,1%. Em 2002  o percentual havia regredido para 52,7%. Pois bem, ao final do atual governo, em 2009, o percentual da população sobrevivendo sob aquelas condições havia evoluído para 55,8%. Mantendo-se a atual tendência de crescimento deste contingente, provavelmente quando a PNAD de 2010 for divulgada teremos um contingente de 56,1% de nordestinos sobrevivendo naquelas condições degradantes de renda. Esta é a população dependente do Programa “Bolsa Família” e que faz a festa  e a popularidade do atual Governo.

Outro dado chocante é a falta de acesso ao serviço de coleta de esgoto. De acordo com a PNAD de 2002, uma população de exatas 37.126.064 pessoas não tinha acesso a este serviço no Nordeste. Em 2009 o contingente havia ascendido para 37.397.158 pessoas. Em 2009, depois de jamais ter visitado os governadores legítimos do Maranhão (Zé Reinaldo e Jackson Lago), sabe-se lá porque razões superiores, o Presidente, diante da governadora imposta pelo TSE aos maranhenses contra a sua vontade, mas ao gosto de Sua Excelência,  em um dos seus momentos gloriosos de palanque, alardeou de microfone em punho, com voz empostada e com aquele olhar característico que faz em momentos assim  em que levita e leva à êxtase a claque sob o seu domínio verborrágico, que o Maranhão estava mergulhado numa M... Assim mesmo com letra maiúscula. Como se constata pelos dados acima, não apenas o Maranhão, mas o Nordeste e o Brasil, estão mergulhados nesta piscina indesejável, haja vista que mais da metade da população brasileira não está conectada à rede de esgoto, como se pode concluir das evidencias mostradas na PNAD de 2009.

A taxa de analfabetismo da população maior de 10 anos do Nordeste,  em 2009, atingiu a incrível cifra de 16,4% contra 9,7% do Brasil e 6,6% no Sudeste. A escolaridade média dos nordestinos, em 2009, ficou em ridículos 6,6 anos. No Brasil também não foi essas maravilhas e estabilizou em 7,8 anos, contra os 8,5 anos de escolaridade média atingidas pelo Sudeste, liderados por São Paulo que teve escolaridade média de 9 anos em 2009.

Dessas evidencias depreende-se que as desigualdades na apropriação da riqueza e dos ativos sociais no Brasil se agravaram nestes oito anos de governo populista e falastrão. Paradoxalmente, da região mais carente e mais discriminada saíram os votos que proporcionaram a ampla vantagem da candidata  que saiu do bolso do colete do homem que acha que está acima das leis, da Constituição, do bem e do mal. O homem que pode tudo. O homem que me enganou no apogeu dos meus tempos de estudante de Doutorado, Pós-Doutorado e de iniciação como Acadêmico por este mundo de meu Deus. Os brasileiros não mereciam isso. Os brasileiros não merecem que isso continue.

Com Professor Associado na Universidade Federal do Ceará

VAMOS COM DAVI TELLES - SERRA POR CAUSA DE SARNEY?

Com Davi Telles

É bem compreensível a reação de muitos maranhenses progressistas nesse momento: aqueles que filosoficamente (para usar o preciso conceito de esquerda moderna de Bobbio) sempre se situaram no hemisfério da luta pela igualdade entre as pessoas; os conterrâneos historicamente identificados com a causa dos oprimidos, dos injustiçados e das minorias desde sempre.

Qual é esta reação diferente?

A escolha de um expressivo contingente de pessoas com alma de esquerda – nos termos reproduzidos acima – de votar em Serra neste segundo turno. Reação a exatamente o quê, pergunta-se.

Ora, a duas graves atitudes tidas por Lula e o PT Nacional.

Primeiro, a intervenção antidemocrática no Diretório Regional do Partido dos Trabalhadores, que havia escolhido soberanamente apoiar a candidatura de um militante histórico das causas progressistas com clara perspectiva de eleição, como vimos ao final. Como todos sabem, apesar da derrota, no voto, da tese de adesão à candidatura Roseana Sarney, a Direção Nacional do PT achou por bem forçar a seccional maranhense do partido a apoiar a filha do Coronel Ribamar.

Em segundo lugar, a aderência entusiasmada – com direito a entrevista em Brasília com afago nas mãos – de Lula e Dilma à candidata da oligarquia. Aliás, apoio que se estendeu aos dois candidatos ao Senado da chapa, cujas concepções políticas são as mais direitistas e retrógradas possíveis.

Por isso tudo, tenho encarado com compreensão alguns depoimentos de amigos que me confessam não ter coragem de votar em quem se prestou a agir de tal sorte. O problema, dizem, é que Lula teria trocado o sucesso do Brasil pela desgraça do Maranhão. Segundo os adeptos da teoria, por viverem aqui, devem votar com a cabeça e o coração voltados para cá.

Nesse ponto é que insisto em lhes indagar se não seria melhor votar muito mais com a cabeça do que com o coração neste momento. Explique-se.

É, por acaso, crível haver algum governo do qual não faça parte Sarney? Por óbvio, não. Sarney se alimenta do poder, e, por isso, num possível governo do PSDB, retornará ao convívio tucano. Afinal, o tucanato e o sarneísmo são expressões políticas de um mesmo ente maior, a direita tradicional contrária à igualdade.

Ao ouvir isto, meus amigos recentemente “atucanados” me respondem: “Sarney pode até aderir ao Governo tucano, mas não terá hegemonia como tem no Governo Lula.

Eu, mais que depressa, demonstro minha concordância. Acho que Lula foi muito além de um acordo político e ofereceu ao grupo do oligarca uma hegemonia, para além da instrumentalidade estrutural dos Ministérios. Deu-lhe força subjetiva – no sentido de tê-lo transformado num de seus mais recorrentes interlocutores para assuntos políticos.

Digo mais, Lula o ressuscitou politicamente ao fazê-lo Presidente do Senado nas duas últimas vezes. A razão é simples: Sarney, apesar de ser um clássico homem de direita, não topa ficar distante do Poder Central, ainda que neste vigore um direcionamento de centro-esquerda. Neste sentido, foi o membro da direita tradicional mais fácil de ser atraído.

Como pensa Lula? Se Collor, um autêntico representante das elites, tombou ante ao desprezo às alianças no Congresso, por que um sindicalista resistiria se não atraísse parte da direita para a aliança? Em nossa opinião, foi longe demais, em que pese a exuberância das conquistas sociais obtidas.

Para fazê-los pensar sobre isto, não poderia deixar de dar-lhes razão quanto a todos esses elementos inegáveis. No entanto, digo aos amigos neoserristas, o Maranhão está contido no Brasil, e, por isso, ainda que submetido a uma lógica atrasada de mando regional, como é o sarneísmo, sente reverberadas as conquistas asseguradas em âmbito nacional.

O ideal, está claro, seria a compatibilidade de concepções de políticas públicas entre os governos local e federal, o que ocorreria com a eleição de Flávio Dino, no entanto, as pressões de Sarney se tornaram insustentáveis, sob pena de um grave rompimento da frágil aliança com o PMDB. Veio, então, a intervenção, e a contradição entre concepção política e social pode ter se tornado, à primeira vista, discrepante. Mas podem existir razões maranhenses que autorizem o voto em Dilma dos decepcionados com o PT e Lula.

A escolha de Lula em topar o aprofundamento da algazarra política brasileira (com a definição do PMDB como aliado preferencial) em nome das conquistas sociais somente poderá ser julgada com rigor científico daqui a algumas décadas, no entanto, as razões locais podem fazer com que aqueles amigos neotucanos mudem de ideia.

Partindo do pressuposto de que eu e os amigos desejamos a consagração de um mesmo modelo de Estado evoluído – para ser claro, o Estado Social Constitucional dos Direitos Fundamentais -, os elementos da política local não nos autorizam a votar em Serra, por mais decepção que exista.

Com Serra, corremos o grave risco de retornar a um modelo atrasadíssimo de Estado, que remonta ao fim do século XVIII, o Estado Liberal, onde os indivíduos mais fragilizados socialmente não merecem atenção e proteção diferenciada do Estado. Com efeito, o modelo onde o Estado não deve elaborar políticas públicas que compensem a desigualdade material entre as pessoas. Enfim, o Estado do “cada um por si”.

Em verdade, um modelo liberal distorcido, pois neste novo, o “neoliberalismo”, a interferência do Estado para favorecer as classes mais abastadas é tolerada.

Assim, o Maranhão, já tão pobre, sofreria as conseqüências mais rapidamente desse retorno ao modelo, que, entre outras características, aprofunda as desigualdades regionais.

Mas existe outro ponto eminentemente político. Com o retorno do tucanato ao Poder Federal, nossa única esperança clara de mudança seria prejudicada– por mais que se pense o contrário. Trata-se de Flávio Dino, detentor de quase 30% dos votos nas últimas eleições para governador.

Pior do que isso, os novos intermediários da reaproximação do sarneísmo ao PSDB federal seriam exatamente os tucanos maranhenses historicamente ligados a Sarney – hoje distantes por razões circunstanciais. Em verdade, hoje com uma distância muito mais aparente do que real. Vide a eleição para o Senado e a ausência de autoridades tucanas na campanha de Jackson Lago.

Como membro do PC do B

Ê MARANHÃO - BOLETIM ELETRÔNICO 16


Boletim Eletrônico do Projeto “Nós de Rede”.
Nº 16 - 27/OUT/2010


VIAS DE FATO
Chorei quando tive consciência da primeira fraude eleitoral, quando soube da segunda e da terceira, quando tomaram na marra o primeiro mandato de um governador eleito pela oposição, quando “venderam” o Banco do Estado para cobrir rombos, “venderam” a Cemar e o povo passou a pagar a conta de energia elétrica mais cara do mundo, eu também chorei. Principalmente quando vi aquelas cédulas todas no escritório da Lunus e o dinheiro público sendo desovado no Convento das Mercês e nas rodas de Pif, eu chorei (leia mais)

BLOG DO CONTROLE SOCIAL
A nota, que é igual a uma cédula de verdade, foi criada por uma ong para tentar envergonhar os funcionários públicos corruptos. A ideia é que, quando um funcionário público pedir caixinha ou propina, o cidadão responda "molhando a mão" do corrupto com a nota de zero rúpia. (leia mais)
BLOG DU BOIS

Gregory Issacs é um dos nomes mais fortes nos salões de reggae do Maranhão. Por duas vezes esteve em São Luís para fazer show. Na primeira, aguardado por milhares no Nhozinho Santos, Gregory desceu do avião já na madrugada do show.

BLOGUE DE ZEMA RIBEIRO
De covers e letras miúdas
Depois do sucesso do show dos Scorpions alardeou-se que a capital maranhense havia definitivamente entrado na rota dos shows internacionais. Mais atrações chegam agora em novembro. A produção local, através das propagandas, no entanto, deveria deixar as coisas mais claras, para que os fã-clubes locais não comprem gato por lebre: a Creedence Clearwater Revisited está sendo divulgada apenas como Creedence e em Abba The Show as duas últimas palavras parecem as letras miúdas que em geral não lemos ao assinar contratos. (leia mais)

ARTIGO – JOSÉ REINALDO TAVARES
Decididamente não da para entender a cabeça e o raciocínio do presidente e a sua estranha lealdade a Sarney. Eleição no Maranhão, este pobre e pelo poder central tão esquecido estado, só vale se Sarney ganhar? E porque desprezar qualquer outro aliado, por mais leal e correto que seja? (leia mais)
TWITTER.COM

@joaobrant: Não se engane pelas matérias sobre o Conselho de Comunicação do CE. Leia o projeto em http://bit.ly/9gtvIj e tire suas próprias conclusões
@agenciaaditalLa verdad es que Cuba encara reformas económicas para mejorar el socialismo -http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=ES&cod=51582
@lluckiano: Sociedade civil exige regulação de artigos constitucionais da comunicação. Ação foi ajuizada no STF - http://bit.ly/cfWJQM

terça-feira, 26 de outubro de 2010

FIASCO GOVERNAMENTAL

Com Felipe Klamt

Um fiasco governamental. Com estas palavras o contundente deputado Rubens Pereira Jr. demonstrou na tribuna da assembleia legislativa a sua indignação ao descalabro que se tornou a gestão estadual da educação.

A falta de capacidade para construir em conjunto com os professores e o Sinproesemma as políticas educacionais demonstra a inoperância deste governo de ocupação. Sabemos que manter a população na total ignorância sempre foi uma das principais formas de dominação da família Sarney. Chega a ser sádico.

A secretaria estadual de educação tentou sair do gabinete para mostrar serviço, inventou uma tal de “Formação Continuada em Rede” para os professores discutirem se está tudo bem na educação maranhense. A brincadeira custou um pouco mais de R$ 2 milhões de reais para pagar “três grandes momentos”, como afirmou em nota o secretário Raposo.

O conteúdo do curso foi inconsistente, a metodologia falhou em todas as etapas, faltou alimentação, não havia hospedagem para todos. Todo este absurdo vai ficar na mente dos educadores com o agravante no falecimento, dentro desta formação, da Professora Rosenilra Feitosa Dias, de 55 anos, da Escola Estadual Salustiano Trindade, localizada em São José de Ribamar.

A principal pergunta no meio educacional está na real necessidade desta formação neste período, levando em conta que os nossos estudantes necessitam de mais apoio para enfrentarem o ENEM na próxima semana.

O deputado Rubens Pereira Jr. teve o discernimento em não permitir que o seu pronunciamento fosse utilizado na silenciosa guerra entre os roseanistas e os macaxeiras pelas secretarias negociadas em troca da ideologia de esquerda. Não faltam dados de contratos sem licitação, os capoeiristas governamentais, doidos para dar um raspão no secretário, afirmam que ultrapassou os R$ 55 milhões de reais.

E os Tiriricas do Maranhão como ficam?

Vai saber.

Com imagem site R7 Notícias

domingo, 24 de outubro de 2010

VINTE E DOIS DIAS, NADA MUDOU

Com Felipe Klamt

Não tem nada para escrever.

Não tem nenhuma novidade neste governo de ocupação?

Não tem nem pensamento de quando vai aparecer alguma atitude de governante?

22 dias e nada?

Vai saber.

Com imagem blog Dinâmica do Invisível

Ê MARANHÃO - BOLETIM ELETRÔNICO 15

Boletim Eletrônico do Projeto “Nós de Rede”. Nº 15 - 23/OUT/2010


O blogue Conexão Brasília-Maranhão seleciona 27 capas que mostram como Veja retratou o período de Fernando Henrique Cardoso à frente da Presidência da República. (leia mais)
COM CONTINUAÇÃO
Movimentos sociais continuam ativos, determinados e principalmente destemidos no enfrentamento ao grupo dominante. Sabendo do seu papel de fiscalizador do bem público e ciente da incapacidade do atual governo em promover políticas que possam garantir os direitso básicos das comunidades resolveram organizar o Movimento Liberdade Liberdade. (leia mais)
BLOG dO CARLOS LEEN
Diante dos quadros políticos nada agradáveis que têm surgido no seio da Universidade Estadual do Maranhão e que têm disputado o poder dentre e fora da instituição, surge o Coletivo Autonomia e Luta, que traz a pauta das grandes tarefas históricas, tanto no Estado quanto no país. (leia mais)
BLOGUE DO ED WILSON
Está subindo a temperatura do óleo onde será tostado o secretário estadual de Educação, Anselmo Raposo, indicado para a pasta no pacote de entrega do PT ao esquema Sarney. (leia mais)
ARTIGO – ROBISON PEREIRA
No primeiro turno, votei em Plínio e Saulo, ambos do PSOL, para presidente e governador, respectivamente. Como milhares de brasileiros, iria, desacreditadamente, apenas votar no segundo turno, em razão do governo petista, dentre outras questões, corroborar com a reestruturação das oligarquias regionais - a exemplo dos Sarney no Maranhão. (leia mais)

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

MOVIMENTO LIBERDADE LIBERDADE

Com Felipe Klamt

Roseana Sarney continua sendo a governante do processo de ocupação com um mandato ilegal, tomado no grau da armação jurídica. Roseana Sarney tomou novamente um novo mandato que inicia em 2011, nada respalda a sua vitória, nem mesmo a sua inexpressiva diferença de votos.

Para uma “eleita” que pensa em somente dominar pelo medo, acreditando que as suas vontades vão ser aceitas sem contestação, como se o Maranhão fosse o seu parque de diversões, entre outras coisas, as entidades da sociedade civil podem estar guardando surpresas para este novo mandato.

Os movimentos sociais continuam ativos, determinados e principalmente destemidos no enfrentamento ao grupo dominante.

Sabendo do seu papel de fiscalizador do bem público e ciente da incapacidade do atual governo em promover políticas que possam garantir os direitos básicos das comunidades resolveram organizar o Movimento Liberdade Liberdade.

Muitas ações têm sido discutidas para definir as prioridades a serem desenvolvidas pelo movimento, entre elas, convocaram os parlamentares de oposição da esfera estadual e federal para fortalecer os processos de mudança na vida dos maranhenses.

Vale participar e acompanhar os próximos passos desta união que vai render muitas histórias.

Com fotos Felipe Klamt - Reunião dos integrantes do Movimento Liberdade Liberdade e parlamentares - São Luís - 21.10.2010

Ê MARANHÃO - BOLETIM ELETRÔNICO 14


Boletim Eletrônico do Projeto “Nós de Rede”.
Nº 14 - 21/OUT/2010

ECOS DAS LUTAS
Em seu saite "Conversa Afiada", Paulo Henrique Amorim publica artigo de Osvaldo Maneschy sobre a auditoria nas urnas do primeiro turno no Maranhão. Maneschy, que foi um dos que ao lado de Brizola desmontou a fraude eleitoral armada por Rede Globo/Roberto Marinho para impedir a eleição do pedetista ao Governo do Rio em 1982, esteve em São Luís a convite do PDT para acompanhar a auditoria. Ele é taxativo: "Neste primeiro turno, três estados me chamaram a atenção: Paraná, São Paulo e Maranhão. Tiveram jeito de coisa encomendada.". (leia mais)
RICO CHORO
Quando conheci o Robertinho ele ainda era um menino, ainda muito pequeno. (...) Atualmente, vendo e ouvindo Robertinho tocar, com seu estilo modernizante, inventivo, contemporâneo, penso que, assim, mais ajudei do que atrapalhei, já que ele continuou, livre de (im)possíveis direcionamentos, estudando cavaquinho e bandolim com a clareza de quem sabia, desde menino, o que queria. Taí um dos resultados de sua dedicação. (leia mais)
BLOG da mandioca
Agricultores e empreendedores familiares rurais do Maranhão que vendem seus gêneros alimentícios para as escolas das redes municipal e estadual de ensino estão isentos de pagar o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS). A medida é parte do Convênio nº 143 assinado pelo Conselho Nacional de Política Fazendária do Ministério da Fazenda (Confaz/MF). (leia mais)
VIAS DE FATO
Em defesa da vida, da dignidade humana, repudiamos o crime de escravidão cometido pelo juiz de direito do estado do Maranhão Marcelo Testa Baldochi. (leia em Vias de Fato a nota das entidades maranhenses)
ARTIGO – LUIZ NOLETO
No filme “A montanha dos sete abutres” (Ace in the Hole, 1951) um repórter decadente presencia um acidente no Novo México. Um homem fica preso em uma antiga mina abandonada, dentro de uma montanha. O repórter percebe a oportunidade e transforma a operação de resgate em um espetáculo nacional. E, para manter a legião de curiosos e jornalistas no meio do deserto, chega a alterar a operação de salvamento, escolhendo o caminho mais demorado e arriscado. A comparação com o espetáculo na mina San Jose, no deserto do Atacama é mais do que óbvia.. (leia mais)
TWITTER.COM
@marciosantos02: De 12 a 21 de novembro o complexo Maria Aragão se tornará a morada da leitura. 4° FEIRA DO LIVRO DE SÃO LUIS
@agenciaadital: O esvaziamento dos partidos políticos. Entrevista com Pedro Ribeiro de Oliveira-http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=PT&cod=51580
@marcosfranco: Madeira diz que se Dilma for eleita o Maranhão passa de fazenda a curral: http://wp.me/poIGL-85

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

SINPROESEMMA - NOTA DE PESAR

SINDICATO DOS TRABALHADORES EM EDUCAÇÃO PÚBLICA DO MARANHÃO SINPROESEMMA

NOTA DE PESAR

Diante do falecimento da professora Rosenilra Feitosa Dias, 55 anos, da escola estadual Salustiano Trindade, localizada em São José de Ribamar, vítima de fulminante ataque cardíaco quando participava de aulas do programa de Formação Continuada promovida pela Seduc (Secretaria de Estado da Educação), o Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Maranhão (Sinproesemma) vem a público:


1.Manifestar sua solidariedade à família da professora neste momento de dor pela perda de forma trágica do ente querido;

2.Lamentar que o falecimento da diretora tenha acontecido no momento em que a profissional dedicava-se à tarefa de aperfeiçoamento profissional fundamental para a elevação da qualidade da Educação Pública, tão necessária ao povo maranhense;

3.Denunciar que, mesmo sem poder estabelecer categoricamente nexo causal com o falecimento da professora, as condições em que está sendo executada a Formação Continuada têm provocado estresse e angústia aos profissionais e, segundo relatos de colegas de sala de aula, a professora Rosenilra Feitosa Dias estava entre aqueles que mais sofriam;

4.Lembrar que pesquisas científicas mostram que os professores e professoras estão entre os profissionais mais gravemente submetidos a estresse e desgaste psicológico, havendo até uma doença específica, a Síndrome de Burnout;

5.Cobrar do secretário de Educação, Anselmo Raposo, e da governadora Roseana Sarney, mais respeito para com os profissionais que estão, literalmente, dando sua vida pelo ensino público do Maranhão;

6.Anunciar que o Sinproesemma, entidade representativa da categoria a qual a professora fazia parte, se manterá firme na luta por melhores condições de vida para todos e todas.

São Luís, 20 de outubro de 2010

Com Júlio Pinheiro - Como Presidente do SINPROESEMMA

terça-feira, 19 de outubro de 2010

MACAXEIRAS CONTRA ROSEANISTAS, PRIMEIRA CRISE PÓS-ELEIÇÃO

Com Felipe Klamt

Parece que o tempo fechou no Palácio dos Leões. A turma da Roseana que nunca ficou convencida da necessidade da presença da turma do PT para vencerem estas eleições tentou aprontar para cima do Vice-Macaxeira nesta semana.  

Estavam somente aguardando esfriar um pouco todas as armações eleitorais para cavar o buraco da turma do PT e tomar os poderosos cargos trocados na traição ao Flávio Dino antes da eleição.

Inicialmente soltaram na principal página do jornal e na rede de blogueiros do sistema que o secretário Raposo estava na corda bamba pelo motivo de ter inventado que a Roseana havia apoiado por meio de um telefonema o candidato Henrique Mariano para reitor da UEMA. Os macaxeiras ficaram miudinhos, somente esperando o próximo ataque.

Para completar a estratégia soltaram no blog do Deça que a hora era propícia para mudança das peças no governo, que poderia ser caracterizada como uma reforma administrativa necessária. O mais interessante foi a justificativa encontrada, afirmando que “o governo não será novo, mas a continuidade do que está em vigência”.

Vendo que seriam engolidos ainda no governo da ocupação, o vice correu para a candidata Dilma informando que a campanha dela poderia ser implodida no Maranhão devido ao afastamento dos lulistas no governo estadual.

Como todos no Planalto estão ressabiados com a falta de motivação da família Sarney para a campanha da Dilma, sem conseguirem esquecer a eterna estratégia de "fazer a façanha do faz de conta" em todas as eleições, mandaram um puxão de orelhão diretamente para a eleita do Lula no Maranhão.

Parece que o céu voltou a ficar de brigadeiro no Palácio dos Leões com a governadora anunciando que vai aguardar pelo menos até dezembro. E depois, como fica?

Vai saber.

Com imagem do blog Agro Help 2

CONVERSA FIADA NO MARANHÃO

Com Osvaldo Maneschy

Prezado Paulo Henrique:

Acabo de chegar de São Luis (MA) onde acompanhei como observador do PDT a auditoria nas urnas eletrônicas usadas no 1° turno das eleições do Maranhão feita pelo engenheiro especializado em segurança de informática, Amilcar Brunazo Filho, e a advogada especialista em Direito Eleitoral, Maria Aparecida Cortiz. Como sabe, além de brizolista, sou velho crítico dessas máquinas e neste 1° turno os resultados em três estados me chamaram a atenção: Paraná, São Paulo e Maranhão.  Tiveram jeito de coisa encomendada.

No primeiro (PR), ganhou o candidato a governador que as pesquisas, antes de terem sua divulgação proibida a 15 dias da eleição, mostravam em queda; no segundo (SP), além da suspeita demora na divulgação dos números finais, sem mais nem menos, no último segundo, venceu um senador que ninguém esperava; e, no terceiro (MA), a velha oligarquia local teve uma vitória prá lá de boa –  por  4 mil votos em um universo de mais de 4 milhões de eleitores.

No Paraná e em São Paulo ninguém contestou nada, os eleitos estão aí empenhados na candidatura Serra neste 2° turno das eleições presidenciais. Já no Maranhão, foi diferente.

O deputado federal Flávio Dino (PcdoB),  juiz federal e ex-relator da recente reforma eleitoral aprovada pelo Congresso que obriga, a partir de 2014, as urnas eletrônicas imprimirem o voto (para permitir a recontagem) – achou o resultado suspeito e para compreender melhor o ocorrido, contratou o engenheiro Amilcar Brunazo Filho e a advogada Maria Aparecida Cortiz, ambos de São Paulo, para auditarem o resultado das eleições maranhenses.

Brunazo e Cida representam o PDT no TSE há pelo menos 10 anos e são dos poucos brasileiros que aprenderam a lidar, fora os técnicos da própria Justiça Eleitoral, com essa caixa-preta que são as urnas eletrônicas usadas no país desde 1996. Máquinas que Leonel Brizola, numa das muitas imagens rurais que incorporou à política nacional, dizia serem equivalentes à argola que se põe no focinho do touro para levá-lo aonde se quer.  O touro era o Brasil.

O relatório técnico preparado por Brunazo e Aparecida levantou várias irregularidades nas eleições maranhenses e, por conta dele, Flávio Dino entrou com uma representação no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Maranhão contestando o resultado.  No exíguo prazo que isto é possível, pela lei. O problema é que cabe ao próprio TRE-MA decidir se irregularidades foram, ou não, cometidas.

Isto porque no Brasil a Justiça Eleitoral acumula os três Poderes da República: ela normatiza as eleições, portanto legisla; ela faz as eleições acontecerem, ou seja, executa e; já que são juízes, ela também julga o que tiver que ser julgado. Tanto poder junto só no tempo da ditadura e as pessoas passam batidas,  não se apercebem disso.

É importante lembrar que o Maranhão é o Estado onde a ditadura não acabou, como costuma dizer o Dr. Jackson Lago (PDT),  3° colocado na disputa para governador, porque Sarney jamais saiu do poder desde que chegou lá, na época dos militares.

O resultado da eleição foi tão conveniente para Roseana que realmente pareceu sob encomenda. Dino somou 859.402 votos, ou 29,45% do eleitorado; enquanto o ex-governador Jackson Lago (PDT), fez 569.412 votos – ou 19,54% do eleitorado.  Outros dois candidatos disputaram a eleição. Um segundo turno no Maranhão, na opinião dos analistas locais, seria fatal para Roseana porque o que não aconteceu no 1° turno, a união de Lago e Dino, ambos anti-Sarney, com certeza aconteceria no 2° turno – e com a ajuda dos nanicos.

Também não custa lembrar, Paulo Henrique, que Roseana chegou ao poder estadual depois que o TSE afastou  do Palácio dos Leões o íntegro Jackson Lago, um médico pobre, em processo prá lá de polêmico. Jackson foi acusado, processado e condenado pela Justiça Eleitoral por “abuso de poder econômico e compra de votos”. Crime que no Maranhão é quase marca registrada dos Sarney. Uma ironia.

Pois saltam aos olhos algumas conclusões da auditoria sobre o 1° turno no Maranhão. Há indícios gravíssimos de fraude que deveriam ser apurados antes do 2° turno, dia 31 que vem. Provas existem, estão lá. Mas a Justiça Eleitoral maranhense vai decidir ainda se apura, ou não, se ela é culpada – já que é a guardiã do processo eleitoral.

Como diz aquela máxima do Direito, “quem guarda o guardião?” Essa decisão, importantíssima para os cidadãos do Maranhão,  sai agora ou fica para as calendas gregas?

Com fundamento no que autoriza a Resolução do TSE número 23.218/10, na primeira semana após os resultados do 1° turno, Amilcar Brunazo e Maria Aparecida Cortiz pediram ao TRE-MA uma série de documentos, impressos e digitais, para auditar o sistema: as Tabelas Básicas de Dados Alimentadores do Sistema; o Relatório de Pendências e Decisões; a Ata oficial da Cerimônia de Geração de Mídias; os Arquivos de Resultados por Seção Eleitoral; os Espelhos dos Boletins de Urna (BU); os Arquivos de LOG das urnas eletrônicas usadas no Maranhão, do Gerador de Mídia e da Totalização; e os Arquivos dos Registros Digitais dos Votos (RDV).

Além disso, pegaram no portal do TSE, na Internet, os Boletins de Urna publicados na Internet (BUweb), as Tabelas de Correspondências Esperadas e Efetivadas e, também, o programa visualizador de LOG das urnas, o LogView. Um senhor calhamaço que foi analisado em curtíssimo espaço de tempo porque a Justiça Eleitoral só dá 72 horas, após a proclamação do resultado oficial, para contestar o resultado.

Aliás, esse é um dos absurdos na eleição brasileira: no tempo do voto de papel, a apuração levava semanas, até meses, para acabar. Agora termina em poucas horas. Mas o prazo para contestar o resultado continua sendo o mesmo dos tempos da contagem do voto de papel:  72 horas depois de proclamado o vencedor.  Algo absolutamente conveniente à Justiça Eleitoral em prejuízo da cidadania – já que a pura e simples recontagem de votos é impossível. Não há votos para recontar, há dados a serem analisados – e assim mesmo se a Justiça Eleitoral os fornecer, o que é sempre uma incógnita.

Com base nos logs (arquivos eletrônicos produzidos pela máquina) produzidos pelas 15 mil urnas eletrônicas usadas no Maranhão, Amilcar Brunazo descobriu, por exemplo, que 19 mil dos votos computados no resultado oficial só entraram nas máquinas após às 17h30m quando, oficialmente as portas das seções eleitorais já estavam fechadas desde às 17 horas. Na análise dos dados Brunazo  usou como parâmetro as seguintes informações:  urnas que receberam no mínimo cinco votos após às 17h30m e votos introduzidos na máquina com intervalo de tempo inferior a um minuto.  Coisa de profissional, não de eleitor comum.

Esses 19 mil votos, suficientes para mudar o resultado oficial, provam que presidentes de seção e mesários, por falta de fiscalização, votam pelo eleitor antes da emissão do BU e a entrega dos disquetes com resultados, para a totalização. Fraude simples, que não tem nada a ver com alta tecnologia e só acontece por falta de fiscalização. Pessoas acham que urnas eletrônicas são 100% seguras, quando na verdade elas são 100% inseguras.

Por isso é fundamental neste 2° turno que haja fiscais em cada uma das 400 mil e poucas seções eleitorais que funcionarão no país. Se não tiver gente de olho, atenta, mesário pode votar pelo eleitor. Porque ele tem o número do título do eleitor, no caderno de assinaturas, exatamente a informação que habilita a máquina para receber o voto. Se ninguém estiver de olho e ele for desonesto, vota com certeza pelo eleitor – ainda mais se a abstenção for alta.

Também é fundamental que no final do dia o fiscal de partido recolha o boletim de urna (BU) em papel, com a assinatura dos mesários, na seção eleitoral. Esse documento é garantia de que a totalização será feita corretamente, somando-se  votos de urnas oficiais. Porque no caminho até a Zona Eleitoral, onde o disquete é introduzido no sistema totalizador, o disquete pode ser trocado por outro, produzido por urna clonada.

De posse do BU impresso, o fiscal pode conferir o resultado, seção por seção, zona por zona eleitoral, a partir da disponibilização da informação oficial da apuração na página do TSE na Internet. Uma conquista do PDT junto ao TSE, ao longo do tempo.

Brunazo e Cida constataram que nas urnas biométricas do Maranhão, usadas nos municípios de Paço do Lumiar e Raposa, ocorreram liberações de máquina pelo mesário – absolutamente anormais. Explico melhor: a urna biométrica, aquela em que o eleitor vota usando sua digital, além dos documentos normais de identificação, em caso de falso negativo (o eleitor ser ele mesmo, mas a máquina não reconhecer sua digital) – o mesário libera a máquina por senha.

Ou seja, cada presidente de mesa com urna biométrica possui senha para fazer a máquina funcionar caso ela não reconheça a digital do eleitor cadastrado. Pois dos 51.652 votos colhidos em urnas biométricas no Maranhão, 2.991 votos (5,8% do total) foram coletados de pessoas que não tiveram a sua impressão digital reconhecida, ou seja, via senha. Média seis vezes superior a inicialmente estimada pelo TSE.

No mundo real, isto mostra que mesários de urnas biométricas também “emprenham”  as máquinas, votando no lugar dos eleitores. Em uma delas, em Paço de Lumiar, 1/3 dos eleitores votaram por senha – um número totalmente absurdo. Com um detalhe: a urna biométrica “entrega” a fraude dos mesários porque mostra, no BU impresso, quantas vezes foi acionada por senha. O que não acontece na urna comum.  Ela também registra a digital do “falso-negativo” – bastando uma simples investigação pela Justiça Eleitoral para pegar os fraudadores. Mas será que eles serão pegos?

O mais grave constatado na auditoria foi a descoberta de que foram geradas mais de 200 Flash de Carga de urnas no Maranhão, além das necessárias. Uma única Flash de Carga serve para preparar urnas de até 100 seções eleitorais diferentes. Nas Flash de Carga são gravados dados sigilosos como as chaves de segurança das máquinas, além dos dados pessoais de eleitores e, naturalmente, as cópias de todos os softwares usados.

Elas são as únicas mídias externas das urnas com capacidade operacionais de inicializá-las sob seu total controle e nelas inserir qualquer software. Por isso o manuseio das Flash é cercado de cuidados regulamentados pela Resolução TSE n° 23.212/2010. Há registro em ata detalhado e redundante de cada Flash de Carga gerada, além de arquivo de LOG dedicado,  sendo ainda obrigatório o acondicionamento delas em envelopes especiais de segurança, lacrados; sujeitas ainda a procedimentos normatizados para encaminhamento e guarda,  após o uso delas. As Flash de Carga são o busilis do processo eletrônico de votação.

Pois analisando as informações sobre a geração e uso das Flash de Carga do Maranhão, como a Ata da Cerimônia de Mídia; o Arquivo de LOG da Geração de Mídia; o arquivo de LOG dos computadores usados nesta tarefa e a análise das Tabelas de Correspondências – fornecidas pelo próprio TSE-MA – Brunazo constatou que foram geradas 694 Flash com destino determinado, o que é absolutamente normal e serve para cobrir todas as 14.243 seções eleitorais do Estado do Maranhão; mas,depois, foram geradas outras 237 sem destino previsto.  O que não faz sentido. Já os arquivos de LOG das 30 máquinas usadas na Geração de Mídias registraram a geração de 969 Flash de Carga, sendo oito delas com numeração duplicada – algo inaceitável levando-se em consideração a segurança do sistema. Ou seja, informações díspares e desencontradas. Não deveria ser assim.

Segundo o relatório, os fatos são graves porque gerar Flash de Carga diferentes para seções eleitorais diferentes, mas com o mesmo número serial, quebra a segurança contra a duplicidade de cargas. Abrindo oportunidade para fraudes “ao sabor da criatividade de quem estiver interessado”, inclusive a  clonagem de urnas para gerarem resultados falsos,mas  perfeitamente aceitáveis pelo sistema totalizador. Uma festa!

Brunazo acha necessário fazer uma auditoria “muito mais profunda e completa” na eleição do Maranhão, coisa que ele não teve tempo para fazer. Os fatos ocorreram, ficaram registrados nos arquivos digitais, os documentos estão lá, mas é preciso apurar mais. Ele concluiu também que diante da multiplicação irregular das Flash de Carga, não há como garantir se os Boletins de Urna (BU) aceitos na totalização foram os gerados pelas urnas oficiais, ou não.  É preciso o TRE-MA apurar o que realmente aconteceu, já que a guarda de todos os documentos é de sua responsabilidade.

Ou nada feito, já que o guardião é que guarda o guardião.

Infelizmente, com as inseguras máquinas de votar que usamos no Brasil, presidente e mesário votam.  Além de fiscalização, é fundamental que depois da eleição sejam recolhidos nos TREs os dados do pleito para que, através deles, se confira o que aconteceu dentro das máquinas. No Maranhão, malandramente, esses dados já foram entregues fora do padrão oficial.

Também é fundamental a coleta, nas seções eleitorais de todo o país, dos boletins de urna em papel assinados pelos mesários. Eles evitam as fraudes provocadas pela troca de disquetes de resultados na hora de totalizar. Numa eleição onde os softwares dominam, tudo é possível. Por isso é fundamental a volta do voto impresso conferido pelo eleitor, que tanto desagrada ao TSE que, sempre que pode, o critica. O voto impresso é a maneira mais simples e objetiva de fazer valer a verdade eleitoral, restabelecendo o princípio da recontagem.

Por conta disto, tudo, prezado Paulo Henrique Amorim, nesta véspera de 2° turno onde “pesquisas” aparentemente começam a preparar a opinião pública para o resultado eleitoral que interessa a elite, mais do que nunca é preciso ficar com os olhos bem abertos. Esse filme eu já vi quando Brizola estava vivíssimo e disputando a presidência da República.

As bruxas existem. Ainda mais no dia delas.

Um abraço do amigo

Como Jornalista e presidente da Fundação Leonel Brizola – Alberto Pasqualini, seção Rio de Janeiro.