domingo, 30 de maio de 2010

VAMOS COM JOÃOZINHO RIBEIRO - O SORRISO DO LAGARTO

Com Joãozinho Ribeiro

A cena, inusitada e ridícula, difícil de ser traduzida para o público leitor deste matutino e da última edição da revista Carta Capital, divulgada a nível nacional: Roseana Sarney ladeada por Washington Luis e Raimundo Monteiro, (in)vestida numa camiseta do Partido dos Trabalhadores. Isso mesmo, companheiros, camiseta do PT! Partido até bem pouco tempo perseguido e desqualificado, de múltiplas formas, pelos meios de comunicação da família oligarca.

À Roseana e às proezas políticas do clã Sarney, nem vou dedicar maiores comentários, pois a imprensa local e nacional, nos últimos tempos, tem produzido um farto material dando conta de suas façanhas. Vou me ater aos dois personagens que serviram de moldura para este quadro caricato, que envergonha profundamente aos fundadores, militantes e simpatizantes do PT.

Em quase todos os estados com os quais tenho mantido intensos contatos com militantes do partido, cresce um sentimento de indignação e solidariedade com a situação do PT do Maranhão. Não há uma justificativa razoável, tanto do ponto de vista político quanto eleitoral, para oferecer uma defesa aos atos destes dois indivíduos, cujas manobras e armações visam negociar um patrimônio que não lhes pertence com os representantes de uma oligarquia cujos odores putrefatos equivalem aos de um cadáver insepulto, que insiste em empestear os territórios da vida e os destinos do povo maranhense.

Sobram o cinismo e o mau-caratismo para justificar, não no plano político, porém no plano do oportunismo barato e do desrespeito à democracia interna do PT, o procedimento destas duas figuras, que com esses atos espúrios negam e renegam até as suas próprias histórias de luta, justamente contra a opressão e os desmandos praticados pelos representantes da família do último coronel oligarca do país.

Colocam acima de tudo a conquista de migalhas do poder a qualquer custo, e assim se transformam em personagens farsescos de uma comédia, cujos aspectos trágicos se sobrepõem à comicidade dos próprios atos, mendigando cargos no governo que chega aos seus estertores finais.

Tragicomicidades à parte, a questão é política e muito séria. Política na sua essência, pois coloca em cena interesses e práticas inconciliáveis, cujos resultados marcarão de modo irrevogável o destino e a vida de todos nós, que empenhamos o melhor de nossas existências para a construção do PT no Maranhão.

Estes 13 meses que demarcam o retorno do grupo Sarney à gestão do Estado do Maranhão, cunhados pelo slogan alvo de chacota pelo Brasil afora “De volta ao trabalho”, traduzem o descalabro administrativo e a falta de limites para a utilização da máquina pública em prol dos seus intentos meramente eleitoreiros.

O argumento de que se trata de uma candidatura da base aliada é falacioso e discutível, dado que estaria em plano equivalente ao plano da candidatura do deputado Flávio Dino; esta sim, assumida e deliberada democraticamente pelo Encontro Estadual do PT, sob a supervisão e acompanhamento de representante da instância maior da agremiação partidária – o Diretório Nacional.

Questão decidida pela via da democracia interna, de acordo com as disposições estatutárias, não pode e nem deve ser submetida a ilações intempestivas, nem a artimanhas que só poderão contribuir para a desagregação do PT no Maranhão e para o enfraquecimento da agremiação, diante da difícil disputa eleitoral que se avizinha.

A foto, a que nos referimos no início deste artigo, apresenta os “companheiros”, Washington Luis e Raimundo Monteiro, exibindo escancarados sorrisos. De que será mesmo que estes senhores estão rindo? De felicidade ou satisfação tenho certeza que não é. A situação é por demais delicada, e pode causar um estrago sem precedentes na vida política do estado, e na vida de milhões de pessoas que poderão vir a ser vitimadas pelas irresponsabilidades dos procedimentos dos protagonistas desta péssima cena política.

É profundamente deprimente para todos nós que fundamos o PT nos depararmos com o modus operandis perpetrado sob a batuta destes dois senhores e dos seus desavisados seguidores:

1) fazer aprovar no Encontro Estadual a proposta de apoio incondicional à candidatura de Roseana Sarney ao Governo do Maranhão, utilizando, para tanto, de meios que até mesmo Deus continua duvidando;
2) com a derrota no plano estadual, apelar para a intervenção do Diretório Nacional, com o intuito de obter a desconsideração do resultado do Encontro Estadual;
3) por não lograrem êxito nas investidas anteriores, pleitear junto à Executiva Nacional a anulação pura e simples do resultado;
4) frustrados nos intentos elencados anteriormente, eivados de tão acintosos descalabros, articular junto à direção nacional do PC do B a retirada da candidatura do deputado Flávio Dino;
5) por fim, inconformados com os resultados negativos obtidos, apelar para a farsa, através da elaboração de um manifesto, até hoje não divulgado, no qual constaria a assinatura da maioria dos delegados do partido, alvo de sérias denúncias pela mídia nacional de compra de votos e de transgressão à ética partidária.

Como me referi anteriormente, a questão começa a sair do plano político para entrar na área penal e da comissão de ética do partido. Não é à toa que nesta segunda-feira a Direção Nacional desloca para o Maranhão dois destacados dirigentes para procederem às devidas apurações da nefasta prática da compra de delegados, visando à modificação de seus votos e posicionamentos, assumidos no Encontro Estadual, realizado no mês de março último.

Esperamos ansiosamente que as coisas sejam colocadas nos lugares corretos, e que nesta semana tenhamos dias menos atribulados, com a apuração minuciosa das denúncias e a conseqüente punição daqueles que praticaram condutas delituosas, incluindo o tipo penal caracterizado pela falsidade ideológica, em seus múltiplos entendimentos.


Como Poeta, Compositor e Militante do PT

2 comentários:

Welliton Resende disse...

Caro Felipe, por favor queira substituir o endereço antigo do meu blog (controle social) para (blogdocontrolesocial.blogspot.com. Abraços, Welliton Resende

Maxsuel UBES disse...

Isso demonstra que tem pessoas que estão esquecendo o projeto social pra só pensar em projetos pessoais.